20/07/2016

vi mamãe oshum em você
e eu que ja te amava
ainda mais me encantei
Oshum Opàrà
rainha das águas doces
suas vestes bordadas com fios de ouro
reluzem com a força de mil sóis
espada na mão, espelho também
torrente furiosa inundadora de planícies 
fertilidade sagrada que rebenta em vida
yèyé opàrà!
suas filhas são as mais belas do aye
que sua força seja a nossa
a benção, mamãe oshum
rainha das cachoeiras

13/09/2015

Digressões

A garoa e o vento gelado na orelha lembram outro lugar
Caminho com com o guarda-chuva fechado querendo senti-la em meu rosto.
Observando o morro do estado me distraio com a cidade
Ruas retas, becos tortos
(desses que obrigam o vento a fazer curva para conseguir passar)
Calçada estreita, avenida larga
Mentes vazias, corações cheios de ódio
A esse mundo racista e machista
Vamos sobreviver até o último episódio
Renascido o amor atravesso a rua
Meus passos são calmos e firmes
Avisto o mar, sinto seu cheiro no ar
Buzinas contrastam com a paisagem
Na há paz
Nem beleza na classe media
Aterrado o mar
Aterrado os sentimentos
Não os sentidos
A lua está em virgem
O sol também ...

29/08/2015

Cadente

Quando morre uma estrela
Nasce um poeta
De luz púrpura e alma ardente
Seus versos fluem cadente
Como as águas de um rio
Que corre, corre, corrente
Imortais por natureza
Versam com tanta beleza
Não rimam só de tristeza
Cantam com toda alegria
Seus amores em versos e poesia.

Poema escrito em 2013

18/08/2015

se liga

Se liga na historia que eu vou contar pra voce
Resistência e memória
Pra você não esquecer

Herança quilombola a favela assim nasceu
Pelas gretas da cidade muita alma floresceu
A cultura genocida muita gente sim matou
Se liga, homem branco, a história te entregou
Racismo e sexismo aprisionando corpos e mentes
Machista, patriarca, o seu mundo é doente
O sangue ainda escorre pelas veias da nossa America latina
Ainda por ouro
Mas também por cocaína
Mulheres em luta, sem discriminação
Vamos escrever uma nova versão
Outros universos sem nenhum padrão
De beleza, gênero ou religião

Falta uma cor na bandeira do Brasil
E um grito de dor, cê fingiu que não ouviu?
Veio da senzala ou do kaiowa queimado
Um verdadeiro povo não esquece seu passado
enquanto no presente ainda vive como gado
Nas culturas ancestrais esta a saída
O segredo pra acabar essa guerra suicida
O compromisso é com o futuro
E o processo é lento
Fique atento e se liga na parada
Porque a revolução
não será televisionada.

03/08/2015

catavento


Talvez eu devesse temer os ventos com cheiro de tempestade que sopram do sul
A intensidade repentina assusta a maioria dos que passam, não a mim
Continuo tranquila
Esperando que a chuva escorra pelo meu rosto no lugar das lágrimas que já secaram
Que a força dos trovões reflita em meus olhos
Filhas de oya não temem ventos fortes.
Me aflige mais não poder falar-te
Ter prometido fuga...
Entre caminhos cruzados construo meu destino
Em que lua ele encontrará de novo com o seu?
Em que rua?
Pode parecer que sofro, mas não
Caminho em paz sentindo a areia
Distorcendo tempo e espaço meus pensamentos viajam
Se é futuro ou se é passado, não sei
Mas sua imagem continua lá
Uma tela de Dali: surrealista e incompreensível
Nesse momento me sinto uma tola escrevendo esses versos
Se é sorte ou revés, também não sei
Ansiosa tenho um milhão de pensamentos
Mas me acalmo e espero

Rezando pra te ver passar...

23/07/2015

Ansiosa como sempre
Quase me perdi pelos caminhos do seu corpo
Entre toques
E seu gosto amargo de cevada
Me senti como quando se mata saudade
O reencontro
Universos que se chocam
Corpos que se alinham
O devir nos espera
A história escrevemos nós

(Verso memória:segunda-feira) 

02/07/2015

poesia de cinzeiro

O festival de horrores me da vontade de vomitar sangue
O cheiro de podre grudou em meu nariz
E a ânsia não passa...
Acendo um cigarro,
Corto o mal pela raiz.
No céu Vênus e Júpiter bailam competindo com o esplendor da lua cheia
Encho os pulmões para esvaziar a cabeça
Nas ruas a sinfonia de buzinas indicam a velocidade do trânsito
Trago também a poluição...
Pensamento não é ilusão
Vago pelo sem-fim dos universos
Ao escrever redescubro as palavras
Reconheço, incrédula, uma infinidade de eus
Caminho enquanto o cigarro termina
Vocês podem tentar escravizar meu corpo
Mas, minha mente é bicho livre
Voa solta pelo céu!

observação: este poema teve seu título alterado, pela intervenção da Lais​, de cigarro poético para poesia de cinzeiro.