13/09/2015

Digressões

A garoa e o vento gelado na orelha lembram outro lugar
Caminho com com o guarda-chuva fechado querendo senti-la em meu rosto.
Observando o morro do estado me distraio com a cidade
Ruas retas, becos tortos
(desses que obrigam o vento a fazer curva para conseguir passar)
Calçada estreita, avenida larga
Mentes vazias, corações cheios de ódio
A esse mundo racista e machista
Vamos sobreviver até o último episódio
Renascido o amor atravesso a rua
Meus passos são calmos e firmes
Avisto o mar, sinto seu cheiro no ar
Buzinas contrastam com a paisagem
Na há paz
Nem beleza na classe media
Aterrado o mar
Aterrado os sentimentos
Não os sentidos
A lua está em virgem
O sol também ...

29/08/2015

Cadente

Quando morre uma estrela
Nasce um poeta
De luz púrpura e alma ardente
Seus versos fluem cadente
Como as águas de um rio
Que corre, corre, corrente
Imortais por natureza
Versam com tanta beleza
Não rimam só de tristeza
Cantam com toda alegria
Seus amores em versos e poesia.

Poema escrito em 2013

18/08/2015

se liga

Se liga na historia que eu vou contar pra voce
Resistência e memória
Pra você não esquecer

Herança quilombola a favela assim nasceu
Pelas gretas da cidade muita alma floresceu
A cultura genocida muita gente sim matou
Se liga, homem branco, a história te entregou
Racismo e sexismo aprisionando corpos e mentes
Machista, patriarca, o seu mundo é doente
O sangue ainda escorre pelas veias da nossa America latina
Ainda por ouro
Mas também por cocaína
Mulheres em luta, sem discriminação
Vamos escrever uma nova versão
Outros universos sem nenhum padrão
De beleza, gênero ou religião

Falta uma cor na bandeira do Brasil
E um grito de dor, cê fingiu que não ouviu?
Veio da senzala ou do kaiowa queimado
Um verdadeiro povo não esquece seu passado
enquanto no presente ainda vive como gado
Nas culturas ancestrais esta a saída
O segredo pra acabar essa guerra suicida
O compromisso é com o futuro
E o processo é lento
Fique atento e se liga na parada
Porque a revolução
não será televisionada.

03/08/2015

catavento


Talvez eu devesse temer os ventos com cheiro de tempestade que sopram do sul
A intensidade repentina assusta a maioria dos que passam, não a mim
Continuo tranquila
Esperando que a chuva escorra pelo meu rosto no lugar das lágrimas que já secaram
Que a força dos trovões reflita em meus olhos
Filhas de oya não temem ventos fortes.
Me aflige mais não poder falar-te
Ter prometido fuga...
Entre caminhos cruzados construo meu destino
Em que lua ele encontrará de novo com o seu?
Em que rua?
Pode parecer que sofro, mas não
Caminho em paz sentindo a areia
Distorcendo tempo e espaço meus pensamentos viajam
Se é futuro ou se é passado, não sei
Mas sua imagem continua lá
Uma tela de Dali: surrealista e incompreensível
Nesse momento me sinto uma tola escrevendo esses versos
Se é sorte ou revés, também não sei
Ansiosa tenho um milhão de pensamentos
Mas me acalmo e espero

Rezando pra te ver passar...

23/07/2015

Ansiosa como sempre
Quase me perdi pelos caminhos do seu corpo
Entre toques
E seu gosto amargo de cevada
Me senti como quando se mata saudade
O reencontro
Universos que se chocam
Corpos que se alinham
O devir nos espera
A história escrevemos nós

(Verso memória:segunda-feira) 

02/07/2015

poesia de cinzeiro

O festival de horrores me da vontade de vomitar sangue
O cheiro de podre grudou em meu nariz
E a ânsia não passa...
Acendo um cigarro,
Corto o mal pela raiz.
No céu Vênus e Júpiter bailam competindo com o esplendor da lua cheia
Encho os pulmões para esvaziar a cabeça
Nas ruas a sinfonia de buzinas indicam a velocidade do trânsito
Trago também a poluição...
Pensamento não é ilusão
Vago pelo sem-fim dos universos
Ao escrever redescubro as palavras
Reconheço, incrédula, uma infinidade de eus
Caminho enquanto o cigarro termina
Vocês podem tentar escravizar meu corpo
Mas, minha mente é bicho livre
Voa solta pelo céu!

observação: este poema teve seu título alterado, pela intervenção da Lais​, de cigarro poético para poesia de cinzeiro. 

02/06/2015

neste (não) caso a potencialidade dos desencontros me deixa com aquele sorriso que apaixonados não conseguem esconder. A nostalgia sobre o que não aconteceu é tão intensa quanto qualquer acontecido. essas loucuras da vida que a gente não entende e, particularmente, não faço questão nenhuma de entender. é estranha essa saudade! e quando ela, a um oceano daqui, curte uma foto minha no fb eu fico feliz, essas coisas que o informacional faz com nossa subjetividade. Imagina daqui a cem anos...

06/04/2015

Entre ouvidos e olvidos
gemidos e amores
sabores de outrora

escrito agorinha na aula de américa latina

30/01/2015

todos os caminhos levam a roma

Diante o firmamento os universos se (re)conheciam
A luz da cidade apagava as estrelas
mas a Lua, que crescia mágica iluminava as nuvens
e nossos corações

A saudade, infinita como esse céu
girou o timão
a deriva, o barco
a vida

Quando a tristeza fala
o outro silencia
os mistérios da existência atropelam o tempo
o devir nos devora
passos lentos nos levam em qualquer direção...
o caminho não importa
é o caminhar que nos leva ao mar.

23/01/2015

Não existe uma explicação para isso tudo. O sentido da existência é simplesmente existir. As experiências e os sentidos são nossas maneiras particulares de perceber o mundo, nossas ferramentas de aprendizagem e de construção de subjetividades. Não vos inquietais, a realidade vos engana!

14/01/2015

nota antes de dormir

Esses dias passados próximo ao mar tem sido calmos o suficiente para buscar alguma paz interior. A música das ondas leva os pensamentos ao além, num fluxo lento a vida vai passando, as sensações, os sentimentos...  procuro me reconectar com o fluxo energético, que movimentam os universos abrindo meus chakras, meu coração e minha mente. Olhando sinceramente para dentro de mim, vou dissipando meus medos, que não passam de efeitos perversos construídos por uma subjetividade colonialista que, de maneira hegemônica, controla as geometrias de poder nos (c)istemas mundo.