25/12/2016

poema que fiz hj nos trinta minutos mais inúteis da vida enquanto vc espera a prova do enem, lá vai:
mataram meu eu lírico
restou em mim uma vida vazia
sem poesia
escorre por sobre a lamina meu sangue tóxico
contaminado pela cegueira inflamável da utopia revolucionária
jaz meu corpo poético
no chão
coberto por alegorias fantasmagóricas da sociedade cisterrorista
enquanto caminho sem alma
pelos corredores da morte.
Vou te falar uma coisa:
Sou poeta.
As vezes,
Me confundo com algum eu lírico.
Apesar dos esforços.
Sou fraca para amores.
E para bebidas.
Não me calo.
Diante dos afetos,
Transbordo.
Num céu de estrelas apagadas pela poluição
Procurei em vão
Não encontrei o cruzeiro
Sem sul
Andei
Procurei em todos os bares
Nos becos tortos
E nas largas avenidas
No Rio de janeiro,
Apesar do asfalto,
A linha de praia ainda guarda sua geometria
A natureza exibe sua resistência mítica
Obrigando a fazer curva
A brisa morna anuncia o poder do verão tropical
Mas o homem - máquina fez da praia rua!
Apagou a lua
Não entendeu nada
Engaiolou o tiê sangue
Escravizou os irmãos
Dissimulado
inventou o perdão
E a culpa cristã
Tem os sentidos tapados
Não sabem amar
Tolos, sapiens
Não sabem de nada.
Me irritam tanto
Que eu esqueci
Que te procurava.

Você vai continuar gritando?


Vou
Eu vou gritar até que alguém me escute
E se ninguém ouvir 
Mesmo assim
Eu vou continuar gritando
Esse som agonizante é minha alma se partindo em mil pedaços
Pra ver se cabe nesse corpo
Nessa carne violentada
Meus delírios poéticos
Rompem com o silêncio normativo
Assim como as cigarras num dia de verão
Por entre os sem sentidos
Escorre o tempo
Por entre os poros, o suor
Se meu corpo não pode manifestar o que sou
Continuarei gritando
Por favor,
Não me peça por silêncio.