25/12/2016

Num céu de estrelas apagadas pela poluição
Procurei em vão
Não encontrei o cruzeiro
Sem sul
Andei
Procurei em todos os bares
Nos becos tortos
E nas largas avenidas
No Rio de janeiro,
Apesar do asfalto,
A linha de praia ainda guarda sua geometria
A natureza exibe sua resistência mítica
Obrigando a fazer curva
A brisa morna anuncia o poder do verão tropical
Mas o homem - máquina fez da praia rua!
Apagou a lua
Não entendeu nada
Engaiolou o tiê sangue
Escravizou os irmãos
Dissimulado
inventou o perdão
E a culpa cristã
Tem os sentidos tapados
Não sabem amar
Tolos, sapiens
Não sabem de nada.
Me irritam tanto
Que eu esqueci
Que te procurava.

Você vai continuar gritando?


Vou
Eu vou gritar até que alguém me escute
E se ninguém ouvir 
Mesmo assim
Eu vou continuar gritando
Esse som agonizante é minha alma se partindo em mil pedaços
Pra ver se cabe nesse corpo
Nessa carne violentada
Meus delírios poéticos
Rompem com o silêncio normativo
Assim como as cigarras num dia de verão
Por entre os sem sentidos
Escorre o tempo
Por entre os poros, o suor
Se meu corpo não pode manifestar o que sou
Continuarei gritando
Por favor,
Não me peça por silêncio.

20/07/2016

vai e não vem

os amantes do amor livre sofrem também
tenho dois amores
um que vai
outro que não vem
um passarinho voa livre
o outro gaiola tem
vou seguindo sozinha
aprendendo que na vida
é preciso se amar também
A loucura bateu na minha porta
Pedi que ela entrasse e ofereci um chá
Entre gracejos ela me roubou um beijo
Dizendo que chegou para ficar
Me prometeu o mundo inteiro
A lua,
o sol,
E também o mar!
Ai de mim que amo tanto as mulheres
Logo por ela fui me apaixonar!

"Quem nunca provou dessa droga poderosíssima que se chama amor platônico?"

Moça, eu te amo
E você sabe
Transborda por entre os poros esse amor
não sei o que fazer com ele
Ofereço a quem passa
Como se nada valesse
Vendi meu corpo
Comprei outros tantos
E nada
Já não sei quem sou
Me perdi em memórias
Por não conseguir lembrar seu sabor
Então...
eu que era ouriço
Me refiz borboleta
Voo livre polenizando as flores.


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Moça,
Sobre seu olhar de esfinge
Não consigo me decidir
Me perco em delírios sobre a melhor opção
Não sei se te decifro
Ou se me deixo devorar.


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Essa lua cheia em virgem
Se exibindo no céu
Com júpiter também em virgem
Em todo seu explendor
Diante da tempestade
Que se anuncia sobre a baia
Diria drummond:
Botam a gente comovido como o diabo!

ps. é necessário dizer que (sempre!) lembro de você em dias de lua cheia 

******************

E se há lágrimas
São só para regar as flores
Que já alegram o jardim.


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sobre aquele abraço

meio solto
meio demorado
quase apertado
de dois corpos que se desejam
dois espíritos que se encantam
e uma sociedade que os aparta
as bocas não declaram
mas o silêncio grita aos quatro ventos:
não aprisionem os sentimentos!

que fique bem claro
não existe lamento
nem tentativa de convencimento
esses versos bobos
é desabafo poético
desses que se perdoam
porque como diz o poeta:
idiota é quem nunca escreveu versos de amor.

entre linhas

entre muros
entre rumos
entre espinhos
e chapiscos
entre amores
e rumores
entre riscos
entre abismos
entre olhares,
entre amargos
entre amigos
e silêncios
ficou qualquer coisa de mim.
vi mamãe oshum em você
e eu que ja te amava
ainda mais me encantei
Oshum Opàrà
rainha das águas doces
suas vestes bordadas com fios de ouro
reluzem com a força de mil sóis
espada na mão, espelho também
torrente furiosa inundadora de planícies 
fertilidade sagrada que rebenta em vida
yèyé opàrà!
suas filhas são as mais belas do aye
que sua força seja a nossa
a benção, mamãe oshum
rainha das cachoeiras