07/02/2017

Essa umidade amazônida
Carregada de sangue vermelho
Que desaba em tempestades abafadas
Inundando o que chamam hoje de baixada fluminense
Faz meus pensamentos voarem sobre o planalto  central
Retrocedendo em direção ao início dos ventos
La, onde o calor equatorial faz a pressão baixar
Deixo a calmaria invadir meu coração
Respiro desacelerando o pulso
Inevitavelmente chego até você
Não me demoro
Quando o ar carregado de carbono sai dos meus pulmões
Me desloco por entre as nuvens
Rasgando o céu poluído da grande metrópole
Não consigo deixar de me encantar com a paleta de cores
Me esforço pra sentir o oxigênio chegando em todas as células antes de respirar de novo
Sem medo
Destruo qualquer resquício da culpa católica
Fundindo novamente matéria e espírito
Através de orgasmos múltiplos
E nenhum falo(centrismo)
Danço nua na floresta
Reestabeleço minhas conexões sagradas com a energia do universo
Quando um sorriso invade o canto da minha boca
Por me sentir viva

25/12/2016

poema que fiz hj nos trinta minutos mais inúteis da vida enquanto vc espera a prova do enem, lá vai:
mataram meu eu lírico
restou em mim uma vida vazia
sem poesia
escorre por sobre a lamina meu sangue tóxico
contaminado pela cegueira inflamável da utopia revolucionária
jaz meu corpo poético
no chão
coberto por alegorias fantasmagóricas da sociedade cisterrorista
enquanto caminho sem alma
pelos corredores da morte.
Vou te falar uma coisa:
Sou poeta.
As vezes,
Me confundo com algum eu lírico.
Apesar dos esforços.
Sou fraca para amores.
E para bebidas.
Não me calo.
Diante dos afetos,
Transbordo.
Num céu de estrelas apagadas pela poluição
Procurei em vão
Não encontrei o cruzeiro
Sem sul
Andei
Procurei em todos os bares
Nos becos tortos
E nas largas avenidas
No Rio de janeiro,
Apesar do asfalto,
A linha de praia ainda guarda sua geometria
A natureza exibe sua resistência mítica
Obrigando a fazer curva
A brisa morna anuncia o poder do verão tropical
Mas o homem - máquina fez da praia rua!
Apagou a lua
Não entendeu nada
Engaiolou o tiê sangue
Escravizou os irmãos
Dissimulado
inventou o perdão
E a culpa cristã
Tem os sentidos tapados
Não sabem amar
Tolos, sapiens
Não sabem de nada.
Me irritam tanto
Que eu esqueci
Que te procurava.

Você vai continuar gritando?


Vou
Eu vou gritar até que alguém me escute
E se ninguém ouvir 
Mesmo assim
Eu vou continuar gritando
Esse som agonizante é minha alma se partindo em mil pedaços
Pra ver se cabe nesse corpo
Nessa carne violentada
Meus delírios poéticos
Rompem com o silêncio normativo
Assim como as cigarras num dia de verão
Por entre os sem sentidos
Escorre o tempo
Por entre os poros, o suor
Se meu corpo não pode manifestar o que sou
Continuarei gritando
Por favor,
Não me peça por silêncio.

20/07/2016

vai e não vem

os amantes do amor livre sofrem também
tenho dois amores
um que vai
outro que não vem
um passarinho voa livre
o outro gaiola tem
vou seguindo sozinha
aprendendo que na vida
é preciso se amar também
A loucura bateu na minha porta
Pedi que ela entrasse e ofereci um chá
Entre gracejos ela me roubou um beijo
Dizendo que chegou para ficar
Me prometeu o mundo inteiro
A lua,
o sol,
E também o mar!
Ai de mim que amo tanto as mulheres
Logo por ela fui me apaixonar!