02/07/2015

poesia de cinzeiro

O festival de horrores me da vontade de vomitar sangue
O cheiro de podre grudou em meu nariz
E a ânsia não passa...
Acendo um cigarro,
Corto o mal pela raiz.
No céu Vênus e Júpiter bailam competindo com o esplendor da lua cheia
Encho os pulmões para esvaziar a cabeça
Nas ruas a sinfonia de buzinas indicam a velocidade do trânsito
Trago também a poluição...
Pensamento não é ilusão
Vago pelo sem-fim dos universos
Ao escrever redescubro as palavras
Reconheço, incrédula, uma infinidade de eus
Caminho enquanto o cigarro termina
Vocês podem tentar escravizar meu corpo
Mas, minha mente é bicho livre
Voa solta pelo céu!

observação: este poema teve seu título alterado, pela intervenção da Lais​, de cigarro poético para poesia de cinzeiro. 

02/06/2015

neste (não) caso a potencialidade dos desencontros me deixa com aquele sorriso que apaixonados não conseguem esconder. A nostalgia sobre o que não aconteceu é tão intensa quanto qualquer acontecido. essas loucuras da vida que a gente não entende e, particularmente, não faço questão nenhuma de entender. é estranha essa saudade! e quando ela, a um oceano daqui, curte uma foto minha no fb eu fico feliz, essas coisas que o informacional faz com nossa subjetividade. Imagina daqui a cem anos...

06/04/2015

Entre ouvidos e olvidos
gemidos e amores
sabores de outrora

escrito agorinha na aula de américa latina

30/01/2015

todos os caminhos levam a roma

Diante o firmamento os universos se (re)conheciam
A luz da cidade apagava as estrelas
mas a Lua, que crescia mágica iluminava as nuvens
e nossos corações

A saudade, infinita como esse céu
girou o timão
a deriva, o barco
a vida

Quando a tristeza fala
o outro silencia
os mistérios da existência atropelam o tempo
o devir nos devora
passos lentos nos levam em qualquer direção...
o caminho não importa
é o caminhar que nos leva ao mar.

23/01/2015

Não existe uma explicação para isso tudo. O sentido da existência é simplesmente existir. As experiências e os sentidos são nossas maneiras particulares de perceber o mundo, nossas ferramentas de aprendizagem e de construção de subjetividades. Não vos inquietais, a realidade vos engana!

14/01/2015

nota antes de dormir

Esses dias passados próximo ao mar tem sido calmos o suficiente para buscar alguma paz interior. A música das ondas leva os pensamentos ao além, num fluxo lento a vida vai passando, as sensações, os sentimentos...  procuro me reconectar com o fluxo energético, que movimentam os universos abrindo meus chakras, meu coração e minha mente. Olhando sinceramente para dentro de mim, vou dissipando meus medos, que não passam de efeitos perversos construídos por uma subjetividade colonialista que, de maneira hegemônica, controla as geometrias de poder nos (c)istemas mundo.

10/11/2014

O homem olvidado

Sufoca-me a atmosfera urbana
Aprisionado o corpo
Cegado o espírito
Distanciados
Rompe-se a conexão cosmica
Os fluxos: energia e materia
São agora direcionados paro o trabalho

Escravidão.

Os mecanismos de controle
Trajados de civilização,
Violências das mais distintas formas,
Adestram-se corpo e mente; ser e sexo
Este modo de vida que com ciência e estado nação
Expandiu-se por todo o planeta
A exterminar
Negros, amarelos, vermelhos
Sangue jorrou
Ainda escorre por nossas veias abertas...

Normatividade; 
heterossexual;
Machista
cissexista; 
moderno-colonial
falocêntrica;
Judaico-cristã; 
escrota,
esquizofrênica.
Aborto, no sentido evolutivo, 
aquilo que não deve nascer
(C)istema mundo 
Ainda somos a colonia
Terras invadias, 
riquezas espoliadas
Corpos colonizados
Seres colonizados
O homem-máquina esqueceu que é humano.